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Mitos e verdade sobre Psicoterapia

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A psicologia é uma área do saber onde existem mais mitos que verdades absolutas, e isto porque, quando algumas informações caem no senso comum (com a ajuda da indústria midiática), sofrem distorções quase impossíveis de reverter.

As informações mais distorcidas estão relacionadas ao processo psicoterápico. Alguns mitos encobrem as verdades, o que dificulta o trabalho do psicólogo.


Eis alguns deles:

Mito 1: O psicólogo deve mudar a "cabeça" das pessoas.Jamais. O psicólogo deve verificar junto ao seu paciente, quais os comportamentos excessivos ou deficitários devem ser modulados. Para isto é preciso levar o paciente a modificar alguns pensamentos. Isto se consegue por meio de técnicas como o questionamento socrático, role-play, atividades reflexivas, etc. O executor da mudança é o PACIENTE. O psicólogo só instrumentaliza.
Mito 2 "Psicoterapia é para a vida toda"Nem sempre. Existem casos que algumas sessões podem ajudar o paciente a se ajustar ao seu meio. Neste caso, o …

Vamos falar de AMOR?

psicólogo convenio saúde Sulamerica sp

O que é amor pra você? O que você entende por amor será o mesmo que os outros entendem?

Enquanto para uns é um sentimento “doce e sublime”, para outros é um tormento, uma obsessão, uma doença. Vamos falar sobre isto? 

Sem ter a pretensão de esgotar este assunto que é amplo, os próximos parágrafos são apenas um exercício de compreensão deste fenômeno.

O amor romântico é uma construção sócio-histórica, pois nas sociedades antigas as relações entre pares não eram baseadas na paixão, mas em práticas relacionadas à sobrevivência. O amor romântico teve suas origens no século XII 


Caracterizava-se como amar o amor mesmo que para isso fosse preciso sofrer até a morte. O sentimento amoroso torna-se uma crença, que se mantém viva na busca da felicidade plena, a exaltação do bem estar que possibilita a vida e perpetua o mito do amor. (cunha, 2008)

Os contos de fada, as novelas, os filmes, os livros de romance e os realitty shows também colaboram para a manutenção deste mito, afinal:

Os mitos revivem os sentimentos, a imaginação coletiva da humanidade, e, acima de tudo, as imagens suscitadas pelo emprego do mito, serão o caminho perfeito para a captação do público leitor sedento de novidades e de sentido para as agruras do cotidiano. Neste momento, o mito deixa de ser apenas história [...], para se tornar uma forma de pensar e de conscientizar. (Cunha, 2008)

A nossa literatura esta recheada de histórias tórridas de amores impossíveis ora com finais felizes, ora infelizes. Pode-se tomar como exemplo alguns romances da literatura brasileira, onde os conflitos de interesses, as lutas de classes dificultavam a união dos pares amorosos.  (Cunha, 2008)





Amor na Psicologia

O amor é entendido na teoria de Stenberg (1986) como a variação em função da extensão três elementos básicos: a paixão, a intimidade e o compromisso. As variações possibilitam oito formas diferentes de amar.



Paixão
Intimidade
Compromisso
Desejo passageiro
X
Amizade
X
Companheirismo
X
X
Amor vazio
X
Amor romântico
X
X
Paixão fugaz
X
X
Amor consumado
X
X
X
Inexistência de amor


Vamos analisar os três elementos separadamente:

Paixão - o amor difere da paixão, especialmente no que se refere à forma como é sentido. A paixão é um conjunto de reações emocionais, de ordem biológica que é desencadeada de acordo com Fabichak (2010):

O sistema de atração [...] Possui três características básicas: sentimentos de felicidades sobre o ser amado; pensamentos intrusivos, ou seja, pensamentos repetitivos sobre o amado [...] E um desejo ardente pela união emocional com o parceiro (p. 47).



Intimidade – implica em partilhar ocorrências boas e ruins, uma vez que envolve a confiança na pessoa amada. Aliás, um dos aspectos que torna esta pessoa tão desejada é o fato de que ela não se mostra ameaçadora, portanto confiável (observe que este conceito de confiabilidade varia de pessoa para pessoa). Se a pessoa é confiável, significa que você poderá contar com ela em diversos momentos. A intimidade é diferente da confluência, pois é possível manter uma relação de intimidade com alguém sem fundir-se a ela, mantendo a individualidade.



Compromisso – é o engajamento na relação que pressupõe levá-la adiante (até onde for possível), buscando a superação de adversidades.














O amor não correspondido:

Quem ama geralmente espera alguma correspondência do parceiro. Mas em que exatamente consiste esta correspondência?
Naturalmente, espera-se que o outro seja carinhoso, atencioso, envolvente, etc. Porém a ausência destes comportamentos de aproximação não caracterizam desamor, e o oposto é verdadeiro.
Cada um ama da forma que aprendeu ao longo da vida, e vai devolver isso. Por isso, não é muito aconselhável "mudar o outro" para "receber mais amor em troca". Aconselha-se a fazer ajustes na relação, equilibrando as gratificações afetivas para que ambos ganhem na medida que for suficiente para cada um. Infelizmente, a completude das trocas é rara!



Quando o amor morre...

“Acabou. E agora o que eu faço"?



Quando o amor morre...Não importa o motivo: as rupturas dificilmente trazem o alívio imediato que prometem.
Necessário considerar que se o sofrimento for IMENSO, causando comprometimento social (deixar de dormir, comer, trabalhar, etc.) convém procurar auxílio apoio terapêutico.
A paixão, seja ela correspondida ou não, dura em média 06 meses a 03 anos. Depois de um tempo há um declínio que pode se transformar em amor verdadeiro, amizade ou indiferença. A raiva não é o oposto do amor, mas sim, uma das formas pela qual se manifesta.Quem decidiu pelo rompimento pode começar aos poucos o processo de desligamento apagando aos poucos as marcas do outro, começando pelas mais simples.
É importante dar tempo ao tempo, mas iniciar outro romance na sequência é desaconselhável, pois o cérebro precisa de tempo pra se recuperar da frustração. E isto envolve tempo. É como convalescer após uma doença. Infelizmente é necessário conviver com o vazio.As cinco fases do luto afetivo
(Texto original publicado em 15 de dezembro de 2013, no Blog Psiconversa)
Quando um rompimento afetivo (amoroso, ou mesmo de amizade) chega ao fim, pode-se considerar que há uma morte, que para ser elaborada deverá passar pelas 5 fases do luto, propostas por Kluber-Ross: Negação, Raiva, barganha, depressão e aceitação.
1)    Negação:Fase marcada pela tendência a mascarar a ocorrência, com atitudes divergentes daquelas que são esperadas  onde há uma ruptura, podendo ocorrer um comportamento dissimulado de pseudo-felicidade: “eu estou muito feliz por ter terminado o namoro”, “Agora quero mais é curtir a vida”. Nesta fase é comum que o individuo busque a companhia de outras pessoas para evitar o confronto com o sentimento de solidão. Como neste trecho da música “Agonia” de Oswaldo Montenegro (1980)
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
2)   Raiva:
A negação tem alguns limites que a realidade impõe, mas nem sempre as pessoas percebem, afinal vivemos em um contexto social que nos ensina a mascarar as tristezas e exibir nossa melhor face, sempre. Porém, como eu disse a realidade sempre impera (por mais que o conceito de realidade seja subjetivo), e a negação agora assume outra forma: passa a se expressar pela RAIVA, sentimento oriundo dos processos de frustração. Neste caso, a raiva é a negação do sentimento POSITIVO que alimentou a relação. É comum que os indivíduos passem a emitir comportamentos que favoreçam a depreciação do outro: “ Não sei como pude amar a fulana, ela nem é bonita”, ou “ Como eu perdi tempo com a beltrana, ela nem era inteligente. Tudo o que ela sabe fui eu que ensinei. Duvido que sobreviva sem mim”  ou “ela nunca vai arrumar alguém como eu, afinal não tem competência, nem beleza, nem nada”. A emissão destas falas depreciativas tem como meta primária agredir não o outro,... mas o sentimento que se nutre por ele. Como diz Adriana Calcanhoto na música “Mentiras”:
Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua família...
Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
3)Barganha:
O individuo tentou negar o próprio sentimento de inferioridade oriundo da ruptura; depois aceitou a ruptura, mas tentou negar os sentimentos que nutre pelo outro. Nada disso deu certo! O jeito é assumir que houve uma ruptura, porém a negação que ocorre aqui é no que concerne ao seu caráter definitivo, portanto entra em cena o comportamento de barganha ou trocas. São comuns atitudes que visam atingir o outro de forma (a) direta “Juro que se você voltar eu nunca mais brigarei com você”; “prometo que paro de me lamentar tanto”, serei menos ciumento”, etc... ou (b) indireta: se arrumar do jeito que o outro gosta, usar o perfume que ele aprecia, ler os mesmos livros que ele; ir aos mesmos lugares, etc. este modo indireto de barganhar é muito comum em pessoas pouco assertivas, que tem dificuldades de falar o sentem, então passam a barganhar por meio de comportamentos que o outro aprecia: “vou me vestir de vermelho porque sei que ele adora vermelho” e com isto, tentar chamar a atenção da pessoa que o rejeitou. Como é expresso por Humberto Gessinger neste trecho da música “Piano Bar”:
Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrarMas, quando o Bourbon é bomToda noite é noite de luar.4)   Depressão:
Conforme o tempo passa e o individuo vai percebendo que a barganha não está conseguindo mobilizar o outro, é chegado o momento em que a ficha cai: você realmente perdeu o outro! Nossa, como isso dói! Mas é FUNDAMENTAL sentir esta dor, pois é ela que vai te conduzir à maturidade emocional e consequentemente a dias melhores. Nesta fase há pouca coisa a ser feita para minimizar este sofrimento e as lágrimas são bem vindas.
5)   Aceitação:
Nada do que foi tentado deu certo, e o que tinha que ser lamentado já foi! Agora é “bola pra frente”. É hora de aceitar o “game over” e começar uma nova partida, depois do merecido descanso. Nesta fase é comum que haja interesses por novas atividades, que excluam qualquer contato, com o ex., como diz Ivan Lins, na música “começar de novo”:
Começar de novo
e contar comigovai valer a pena ter amanhecidoter me rebeladoter me debatidoter me machucadoter sobrevivido



Espero que este post possa ter servido para ampliar a compreensão sobre as rupturas, mas devemos considerar que estas fases não são lineares, podendo ocorrer em conjunto, ou em outra ordem. Algumas pessoas talvez nem passem por todas elas, outras passam diversas vezes.

Se a dor estiver insuportável, procure ajuda de um psicólogo.

  

REFERÊNCIAS

CUNHA, MARIA DE LOURDES DA CONCEIÇÃO. ROMANTISMO: O MITO DO AMOR IMPOSSÍVEL. 2008. [ONLINE]. DISPONÍVEL EM HTTP://WWW.ABRALIC.ORG.BR/ANAIS/CONG2008/ANAISONLINE/SIMPOSIOS/PDF/013/MARIA_CUNHA.PDF. ACESSO EM 24/06/2012
DICIONÁRIO AURÉLIO. AMOR. [ONLINE]. DISPONÍVEL EM HTTP://WWW.DICIONARIODOAURELIO.COM/AMOR.HTML. ACESSO EM 23 DE JUNHO DE 2013.
FABICHACK, CIBELE. AMOR, SEXO, ENDORFINAS E BOBAGENS. SÃO PAULO, 2010.
FROMM, ERICH. A ARTE DE AMAR. SÃO PAULO. MARTINS FONTES. 1971
KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. 8.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

SOUZA, TUHANY BARBOSA. AMOR ROMÂNTICO. MONOGRAFIA DE CONCLUSÃO DE CURSO. UNICEUB, 2007.

Gostou do Artigo? Obrigada. Se copiar, cite a fonte. Lembre-se que plágio é crime, conforme a lei 9610/18



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