A Neurobiologia e as Fases do Luto nos relacionamentos amorosos
Índice do Conteúdo:
1. A Neurobiologia da Perda Amorosa
As rupturas afetivas são processos complexos que podem impactar diretamente nosso sistema de recompensa cerebral.
Quando um vínculo é interrompido, o cérebro pode reagir de forma semelhante à abstinência química.
Estudos neurocientíficos demonstram que a separação provoca quedas bruscas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias responsáveis pelas sensações de prazer e segurança.
Simultaneamente, há um aumento do cortisol (hormônio do estresse), ativando áreas do cérebro ligadas à dor física, como o córtex somatossensorial secundário e a ínsula dorsal posterior. Isso explica por que a dor de uma perda é sentida de forma visceral no corpo, resultando em sintomas como aperto no peito, apatia, tristeza profunda e angústia.
2. Os 5 Estágios do Luto Afetivo
Segundo os estudos pioneiros de Elisabeth Kübler-Ross, atravessamos estágios que nos auxiliam a processar a ausência e reorganizar nossa identidade sem o outro. No luto amoroso, essas fases funcionam como mecanismos de defesa psíquica necessários para a sobrevivência emocional:
3. Técnicas da TCC Aplicadas ao Luto
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — utiliza ferramentas estruturadas que podem auxiliar na travessia de momentos dolorosos, como uma ruptura afetiva.
As intervenções são adaptadas a cada caso e não constituem promessa de resultado, mas possibilidades de manejo. Entre elas, estão incluídas:
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Ativação Comportamental: pode envolver a reintrodução gradual de atividades que favoreçam sensação de domínio ou interesse, o que pode contribuir para melhora do engajamento e do estado emocional ao longo do tempo.
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Reorganização da vida: pode ajudar a organizar decisões e ações práticas no presente, favorecendo adaptação à nova rotina após o término.
A escolha e o ritmo das técnicas dependem da avaliação clínica e das condições de cada pessoa.
4. Reorganização da Identidade
O fim de um relacionamento frequentemente mobiliza um processo de reorganização da identidade.Essa reorganização tende a não ser imediata. Em muitos casos, pode ocorrer como um desligamento gradual das marcas do outro, começando por aspectos mais concretos — rotinas, objetos, horários, programas — e, com o tempo, alcançando camadas mais profundas, como projetos de vida, referências afetivas e narrativas pessoais.
Esse percurso pode, em parte, se aproximar das chamadas fases do luto, descritas por Elisabeth Kübler-Ross, entendidas hoje como possíveis estados emocionais — não etapas fixas nem obrigatórias. Após uma ruptura, a pessoa pode experimentar, em diferentes ordens e intensidades:
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negação, com sensação de irrealidade ou dificuldade de aceitar o fim
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raiva, que pode se dirigir ao ex-parceiro, a si ou à situação
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barganha, com pensamentos do tipo “se tivesse feito diferente…”
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tristeza, com retraimento e maior sensibilidade emocional
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aceitação, quando a realidade do término passa a ser mais integrada
Nem todos vivenciam todas essas fases, e elas não necessariamente seguem sequência linear — podem alternar e até coexistir.
No processo de reconstrução identitária, podem estar envolvidos movimentos como:
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revisão de papéis e expectativas que estavam vinculados ao vínculo
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retomada gradual de interesses pessoais possivelmente deixados em segundo plano
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reconstrução de autonomia nas decisões cotidianas
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redefinição de valores e prioridades
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atualização da própria história — integrando a relação vivida sem que ela defina toda a identidade
Também pode haver oscilações entre maior clareza e momentos de saudade ou idealização. Essas variações podem ser compatíveis com o processamento emocional e não indicam, por si só, retrocesso.
O foco tende a não ser “apagar” a experiência, mas integrá-la de forma menos central, permitindo que a identidade se torne novamente mais ampla do que o relacionamento encerrado.
A psicoterapia pode favorecer compreensão de padrões, fortalecimento de recursos pessoais e construção de uma narrativa mais flexível sobre si e sobre os vínculos — dentro do ritmo e das condições de cada pessoa.
Leituras Recomendadas
Sobre o Atendimento
Referências Técnicas:
FABICHACK, C. Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens. 2010.FROMM, E. A Arte De Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1971.
KÜBLER-ROSS, E. Sobre A Morte E O Morrer. 1998.
SOUZA, T. B. Amor Romântico. Monografia Uniceub, 2007.
Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677, sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.
Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado, escuta qualificada e foco nas necessidades de cada pessoa.
Terapia Cognitivo-Comportamental: Fornece elementos para identificação e modificação de pensamentos disfuncionais que afetam a saúde emocional.
Acolhimento Humanizado: Torna a consulta psicológica mais natural, eliminando julgamentos de valor e focando na dignidade do indivíduo.
Psicóloga SP Maristela Vallim Botari
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