A Neurobiologia e as Fases do Luto nos relacionamentos amorosos

Índice do Conteúdo:

1. A Neurobiologia da Perda Amorosa

As rupturas afetivas são processos complexos que podem impactar diretamente nosso sistema de recompensa cerebral. 

Quando um vínculo é interrompido, o cérebro pode reagir de forma semelhante à abstinência química. 

Estudos neurocientíficos demonstram que a separação provoca quedas bruscas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias responsáveis pelas sensações de prazer e segurança.

Simultaneamente, há um aumento do cortisol (hormônio do estresse), ativando áreas do cérebro ligadas à dor física, como o córtex somatossensorial secundário e a ínsula dorsal posterior. Isso explica por que a dor de uma perda é sentida de forma visceral no corpo, resultando em sintomas como aperto no peito, apatia, tristeza profunda e angústia.

2. Os 5 Estágios do Luto Afetivo

Segundo os estudos pioneiros de Elisabeth Kübler-Ross, atravessamos estágios que nos auxiliam a processar a ausência e reorganizar nossa identidade sem o outro. No luto amoroso, essas fases funcionam como mecanismos de defesa psíquica necessários para a sobrevivência emocional:

1. Negação: Fase marcada pela tendência a mascarar a ocorrência. Pode ocorrer um comportamento de pseudo-felicidade ou a busca incessante por distrações para evitar o confronto com o vazio deixado pela perda. 
1) Negação:   Fase marcada pela tendência a mascarar a ocorrência, com atitudes divergentes daquelas que são esperadas onde há uma ruptura, podendo ocorrer um comportamento dissimulado de pseudo-felicidade:   Nesta fase é comum que o individuo busque a companhia de outras pessoas para evitar o confronto com o sentimento de perda. 
2. Raiva: Surge quando a realidade se impõe. Existe a possibilidade de sentimentos de injustiça, culpa direcionada ao ex-parceiro ou a si mesmo, e uma revolta contra a situação. 
As 5 fases do luto afetivo  Segundo a psicóloga Maristela Vallim Botari, que administra terapia de casal, as rupturas são sempre dolorosas, mesmo quando não há mais amor.   Isso acontece porque nosso sistema de recompensa está habituado a receber gratificações do parceiro, o que ajuda na produção de endorfinas pelo cérebro.   Quando o parceiro se vai, a produção de endorfinas cai, deixando o indivíduo em estado de apatia, tristeza e angústia.  Após um rompimento, é importante dar tempo ao tempo e permitir que o processo de desligamento aconteça gradualmente, começando pelas marcas do outro, começando pelas mais simples. 
3. Barganha: Tentativas internas (ou externas) de negociar uma volta ou aliviar a dor. É o momento de pensamentos do tipo "e se eu tivesse agido diferente?". 
As 5 fases do luto afetivo  Segundo a psicóloga Maristela Vallim Botari, que administra terapia de casal, as rupturas são sempre dolorosas, mesmo quando não há mais amor.   Isso acontece porque nosso sistema de recompensa está habituado a receber gratificações do parceiro, o que ajuda na produção de endorfinas pelo cérebro.   Quando o parceiro se vai, a produção de endorfinas cai, deixando o indivíduo em estado de apatia, tristeza e angústia.  Após um rompimento, é importante dar tempo ao tempo e permitir que o processo de desligamento aconteça gradualmente, começando pelas marcas do outro, começando pelas mais simples. 
4. Depressão: O reconhecimento da perda inevitável. É um período de introspecção e tristeza necessária, onde o indivíduo começa a processar a realidade da vida sem o vínculo anterior. 

As 5 fases do luto afetivo  Segundo a psicóloga Maristela Vallim Botari, que administra terapia de casal, as rupturas são sempre dolorosas, mesmo quando não há mais amor.   Isso acontece porque nosso sistema de recompensa está habituado a receber gratificações do parceiro, o que ajuda na produção de endorfinas pelo cérebro.   Quando o parceiro se vai, a produção de endorfinas cai, deixando o indivíduo em estado de apatia, tristeza e angústia.  Após um rompimento, é importante dar tempo ao tempo e permitir que o processo de desligamento aconteça gradualmente, começando pelas marcas do outro, começando pelas mais simples.

 
5. Aceitação: A integração da perda na história pessoal. Não significa esquecimento, mas a capacidade de seguir adiante com paz e novos propósitos. 
Estágios do luto 

3. Técnicas da TCC Aplicadas ao Luto

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — utiliza ferramentas estruturadas que podem auxiliar na travessia de momentos dolorosos, como uma ruptura afetiva. 

As intervenções são adaptadas a cada caso e não constituem promessa de resultado, mas possibilidades de manejo. Entre elas, estão incluídas:

  • Ativação Comportamental: pode envolver a reintrodução gradual de atividades que favoreçam sensação de domínio ou interesse, o que pode contribuir para melhora do engajamento e do estado emocional ao longo do tempo.

  • Reorganização da vida: pode ajudar a organizar decisões e ações práticas no presente, favorecendo adaptação à nova rotina após o término.

A escolha e o ritmo das técnicas dependem da avaliação clínica e das condições de cada pessoa.

4. Reorganização da Identidade

O fim de um relacionamento frequentemente mobiliza um processo de reorganização da identidade. 
Ao longo da vida a dois, é comum que hábitos, escolhas, rotinas, planos e até formas de se perceber no mundo tenham sido construídos de maneira compartilhada. 
Quando a relação termina, a pessoa pode se deparar com a tarefa de se reconhecer novamente fora dessa dinâmica.

Essa reorganização tende a não ser imediata. Em muitos casos, pode ocorrer como um desligamento gradual das marcas do outro, começando por aspectos mais concretos — rotinas, objetos, horários, programas — e, com o tempo, alcançando camadas mais profundas, como projetos de vida, referências afetivas e narrativas pessoais.

Esse percurso pode, em parte, se aproximar das chamadas fases do luto, descritas por Elisabeth Kübler-Ross, entendidas hoje como possíveis estados emocionais — não etapas fixas nem obrigatórias. Após uma ruptura, a pessoa pode experimentar, em diferentes ordens e intensidades:

  • negação, com sensação de irrealidade ou dificuldade de aceitar o fim

  • raiva, que pode se dirigir ao ex-parceiro, a si ou à situação

  • barganha, com pensamentos do tipo “se tivesse feito diferente…”

  • tristeza, com retraimento e maior sensibilidade emocional

  • aceitação, quando a realidade do término passa a ser mais integrada

Nem todos vivenciam todas essas fases, e elas não necessariamente seguem sequência linear — podem alternar e até coexistir.

No processo de reconstrução identitária, podem estar envolvidos movimentos como:

  • revisão de papéis e expectativas que estavam vinculados ao vínculo

  • retomada gradual de interesses pessoais possivelmente deixados em segundo plano

  • reconstrução de autonomia nas decisões cotidianas

  • redefinição de valores e prioridades

  • atualização da própria história — integrando a relação vivida sem que ela defina toda a identidade

Também pode haver oscilações entre maior clareza e momentos de saudade ou idealização. Essas variações podem ser compatíveis com o processamento emocional e não indicam, por si só, retrocesso.

O foco tende a não ser “apagar” a experiência, mas integrá-la de forma menos central, permitindo que a identidade se torne novamente mais ampla do que o relacionamento encerrado. 

A psicoterapia pode favorecer compreensão de padrões, fortalecimento de recursos pessoais e construção de uma narrativa mais flexível sobre si e sobre os vínculos — dentro do ritmo e das condições de cada pessoa.

 

Referências Técnicas:

FABICHACK, C. Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens. 2010.
FROMM, E. A Arte De Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1971.
KÜBLER-ROSS, E. Sobre A Morte E O Morrer. 1998.
SOUZA, T. B. Amor Romântico. Monografia Uniceub, 2007.
ZWIELEWSKI, Graziele; SANT'ANA, Vânia. Detalhes de protocolo de luto e a terapia cognitivo-comportamental. Rev. bras.ter. cogn.,  Rio de Janeiro ,  v. 12, n. 1, p. 27-34,  jun.  2016 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872016000100005&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  14  fev.  2026.  https://doi.org/10.5935/1808-5687.20160005. 




 Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677, sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.

 

Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado, escuta qualificada e foco nas necessidades de cada pessoa. 

Terapia Cognitivo-Comportamental: Fornece elementos para identificação e modificação de pensamentos disfuncionais que afetam a saúde emocional.

Acolhimento Humanizado: Torna a consulta psicológica mais natural, eliminando julgamentos de valor e focando na dignidade do indivíduo.


 

 

Psicóloga SP Maristela Vallim Botari

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