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Orientação Política e Personalidade: o que a Psicologia Explica

 

Estamos vivendo um momento de polarização política, tanto no Brasil quanto no mundo: de um lado os defensores da direita, de orientação conservadora, e de outro os defensores da esquerda, que vislumbram valores com apelo mais social. 

E no meio, claro, uma legião de pessoas que claramente discordam de tudo isso ou se sentem desconfortáveis com o binarismo. 

Estamos vivendo um momento de polarização política, tanto no Brasil quanto no mundo: de um lado os defensores da direita, de orientação conservadora, e de outro os defensores da esquerda, que vislumbram valores com apelo mais social. E no meio, claro, uma legião de pessoas que claramente discordam de tudo isso ou se sentem desconfortáveis com o binarismo.

 

Meu objetivo aqui não é discutir quem está certo ou errado, mas sim discutir traços de personalidade relacionados às orientações escolhidas e o que leva as pessoas a fazerem tais escolhas.


O que significam “direita”, “esquerda” e “terceira via”

Direita

A orientação política de direita valoriza tradição, ordem social, liberdade econômica e propriedade privada. Costuma defender menor intervenção do Estado, priorizar o mérito individual e manter estruturas sociais vistas como naturais ou funcionais.

No contexto brasileiro e latino-americano, a direita também tende a se associar a discursos de “lei e ordem”, valores culturais e religiosos tradicionais, e uma visão de sociedade que preza pela estabilidade e continuidade.

Esquerda

A esquerda, por sua vez, enfatiza igualdade social, justiça redistributiva e uma atuação mais ativa do Estado na promoção do bem-estar coletivo. Valoriza os direitos humanos, a diversidade e políticas voltadas à redução das desigualdades econômicas e culturais.

Historicamente, a esquerda se associa a movimentos sociais, sindicatos, e lutas por inclusão e representatividade.

Terceira via ou independentes

Entre os dois polos, há os que se consideram “nem direita nem esquerda”, ou defensores de uma terceira via. Esses indivíduos frequentemente valorizam liberdade individual combinada com justiça social, rejeitam os extremos ideológicos e preferem posturas pragmáticas ou equilibradas.

“A terceira via representa mais uma tentativa de síntese ética e racional entre o ideal de igualdade e a necessidade de liberdade.” — Anthony Giddens (1998), The Third Way

O que a Psicologia diz sobre as escolhas políticas

Diversos estudos na psicologia política e na psicologia da personalidade investigaram se traços psicológicos estáveis estão relacionados às preferências ideológicas. Um dos modelos mais utilizados é o Big Five, que considera cinco dimensões principais da personalidade: abertura à experiência, conscienciosidade, extroversão, agradabilidade e neuroticismo.

1. Abertura à Experiência e Esquerda

Pessoas com alto nível de abertura à experiência tendem a ser curiosas, criativas e receptivas à mudança. Pesquisas apontam que esse traço se correlaciona com valores liberais e progressistas, típicos da esquerda, que enfatizam diversidade, inovação e transformação social.

(Ver: Carney, J., Jost, J. et al. “The Secret Lives of Liberals and Conservatives”, Political Psychology, 2008)

2. Conscienciosidade e Direita

Já indivíduos com alto grau de conscienciosidade — disciplina, organização e respeito a normas — mostram maior tendência a se identificarem com ideologias conservadoras, que valorizam a estabilidade, a ordem e a tradição.

(Ver: Jost, J. et al., “Political Conservatism as Motivated Social Cognition”, Psychological Bulletin, 2003)

3. Neuroticismo, medo e sensibilidade à ameaça

Pesquisas de neurociência política sugerem que o nível de sensibilidade a ameaças também influencia orientações políticas. Conservadores tenderiam a ter maior reatividade fisiológica a estímulos negativos ou incertos, enquanto liberais apresentariam maior tolerância à ambiguidade e ao risco.

(Ver: Oxley et al., “Political Attitudes Vary with Physiological Traits”, Science, 2008)

4. Independentes e “Terceira Via”

Os que rejeitam rótulos e se posicionam entre os extremos costumam demonstrar flexibilidade cognitiva e menor necessidade de fechamento ideológico. Podem sentir desconforto com posturas dogmáticas e preferir decisões baseadas em contexto, não em identidade política fixa.

“As pessoas que se dizem apolíticas não são menos políticas — apenas expressam o desejo psicológico de evitar a ansiedade que o conflito ideológico produz.” — Jonathan Haidt, The Righteous Mind, 2012

Limitações e nuances

Embora exista correlação entre traços de personalidade e orientação política, isso não significa determinismo psicológico. Personalidade é apenas um dos fatores que influenciam a escolha política; experiências de vida, contexto cultural, educação e acontecimentos históricos exercem impacto igualmente importante.

Além disso, como observa o psicólogo John Jost, “as ideologias são sistemas motivacionais complexos — não apenas extensões da personalidade, mas também respostas emocionais a ameaças percebidas, desigualdades e injustiças.”
(Jost, 2017, Psychological Science)

Em culturas diferentes, a relação entre traços e ideologia varia. O que é considerado “conservador” em um país pode ter outro significado em outro contexto histórico.


Síntese e reflexão final

Quando observamos que alguém se posiciona à direita, à esquerda ou em posições intermediárias, parte dessa escolha reflete como a pessoa é estruturada psicologicamente — quão aberta ela está a novas ideias, quão confortável se sente com regras, e qual sua tolerância à ambiguidade e à mudança.

Compreender essas dinâmicas ajuda a perceber que a polarização política não é apenas disputa de ideias, mas também de modos de ser e perceber o mundo. Em vez de buscar vencedores, talvez devêssemos buscar empatia cognitiva: entender o que leva o outro a pensar como pensa.

“Entender o outro não é concordar com ele, mas reconhecer que ele também é resultado de uma história, uma cultura e uma mente em funcionamento.”
Adaptado de Jonathan Haidt (2012)

Referências bibliográficas

  • Carney, D. R., Jost, J. T., Gosling, S. D., & Potter, J. (2008). The Secret Lives of Liberals and Conservatives: Personality Profiles, Interaction Styles, and the Things They Leave Behind. Political Psychology.
  • Jost, J. T., Glaser, J., Kruglanski, A. W., & Sulloway, F. (2003). Political Conservatism as Motivated Social Cognition. Psychological Bulletin, 129(3), 339–375.
  • Oxley, D. R., et al. (2008). Political Attitudes Vary with Physiological Traits. Science, 321(5896), 1667–1670.
  • Haidt, J. (2012). The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion. Vintage Books.
  • Giddens, A. (1998). The Third Way: The Renewal of Social Democracy. Polity Press.

 

 


Escrito por: Psicóloga SP Maristela Vallim Botari 

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Desvendando as Jornadas que Levam à Terapia de Casal

A vida a dois, em sua complexa rede de afetos e convivências, entrelaça momentos de amor, cumplicidade e crescimento mútuo, mas também nos coloca diante de desafios que testam a solidez do vínculo. À medida que o tempo passa, as diferenças individuais, expectativas e dificuldades de comunicação podem gerar distanciamento emocional e conflitos persistentes.

É justamente nesses momentos de desalinhamento e dor compartilhada que buscar o apoio de um profissional da saúde mental representa um passo essencial para restaurar a conexão, reconstruir o diálogo e fortalecer o vínculo afetivo.

A decisão de iniciar um processo de terapia de casal costuma surgir quando o relacionamento enfrenta impasses que comprometem a harmonia conjugal e o bem-estar emocional de ambos, como os que seguem abaixo:

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