Por: Psicóloga Maristela Vallim Botari CRP/SP 06-121677

 

 

Rejeição: como compreender e lidar

É muito frequente em atendimentos psicológicos surgir o tema da Rejeição: ela tende a surgir quando as pessoas sentem-se excluídas de um grupo, evento, ou da participação da vida de alguém, seja de forma presencial e até mesmo online, quando percebem que não receberam um conteúdo que foi compartilhado com outras pessoas. 

Como sempre, este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema, mas levantar uma reflexão sobre:

Índice

  1. Como podemos definir o sentimento de rejeição
  2. Como a rejeição pode ser percebida (objetiva ou subjetivamente)
  3. Quando você deve se importar e quando ignorar
  4. Quando procurar ajuda

1) Como podemos definir o sentimento de rejeição

De modo geral, os dicionários (Dicionário Aurélio, o Houaiss, o Michaelis e o Priberam) definem rejeição como o ato ou efeito de rejeitar, recusar, não aceitar ou não admitir algo ou alguém. 

No campo psicológico, a rejeição ultrapassa a ideia de simples recusa e passa a envolver uma experiência emocional de não pertencimento, desvalorização ou exclusão.

Para Sigmund Freud, as vivências emocionais da infância, especialmente aquelas relacionadas ao afeto e ao reconhecimento, marcam profundamente a forma como o indivíduo percebe perdas e recusas ao longo da vida. Já Carl Rogers, psicólogo humanista, enfatizava a importância da aceitação positiva incondicional. Quando essa aceitação não é percebida, pode surgir um sentimento de inadequação ou rejeição.

A rejeição, portanto, não é apenas um fato externo; ela envolve interpretações internas, histórias pessoais e necessidades emocionais de pertencimento e validação.

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2) Como a rejeição pode ser percebida (objetiva ou subjetivamente)

A rejeição pode ser objetiva quando há um fato concreto: não ser chamado para uma entrevista, não ser convidado para um evento específico, receber explicitamente um “não” .

Por outro lado, ela pode ser subjetiva quando não há uma exclusão clara, mas a pessoa interpreta determinadas situações como rejeição. Por exemplo: ser a última pessoa a ser convidada para um evento, ser o último a saber de uma novidade importante, perceber que todos já estavam organizados antes de sua inclusão ou notar que determinadas decisões foram tomadas sem que você fosse consultado. Embora nem sempre haja a intenção explícita de excluir, a forma como a situação é vivenciada pode despertar sentimentos de desvalorização, não pertencimento ou inferioridade.

Nesses casos, entram em jogo filtros emocionais, inseguranças e experiências passadas. Muitas vezes, a dor não está apenas no evento, mas no significado atribuído a ele. A mente pode preencher lacunas com suposições que reforçam sentimentos antigos de não pertencimento.

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3) Quando você deve se importar e quando ignorar

Nem toda experiência de rejeição precisa ter o mesmo peso. É importante diferenciar eventos importantes de situações corriqueiras.

Merecem atenção: Eventos importantes, especialmente quando a exclusão tem sido frequente ou recorrente. Por exemplo: não ser chamado repetidamente para entrevistas de emprego, ser constantemente deixado de fora de grupos de trabalho acadêmico ou esportivo, ou perceber exclusão em eventos familiares significativos.

Merecem pouca ou nenhuma atenção — como não ser marcado em uma foto, não ser incluído em uma conversa ocasional ou não receber uma resposta imediata — podem não merecer grande investimento emocional. Aqui, o exercício é relativizar: será que isso realmente define meu valor?Se a resposta for um SIM, continue lendo.

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4) Quando procurar ajuda

 Entendo que pode ser frustrante ser excluído(a) ou rejeitado(a) em algumas situações. 

Infelizmente, essa experiência faz parte da vida — especialmente da vida moderna, mediada por tecnologias, onde nem sempre as pessoas conseguem compartilhar tudo com todos ou responder mensagens no tempo que consideramos ideal.

Sim, como foi dito anteriormente, a rejeição é um sentimento que pode ser considerado normal em muitos contextos. No entanto, quando pequenas rejeições passam a ocupar um espaço desproporcional na vida emocional, ou quando episódios repetidos de exclusão começam a se tornar frequentes, é importante estar atento.

A rejeição passa a exigir atenção emocional quando deixa de ser um sentimento pontual e se transforma em sofrimento persistente afetar a autoestima, os relacionamentos e a maneira como a pessoa se percebe no mundo. Nesses casos, buscar ajuda emocional pode ser um caminho compreender o que está acontecendo e desenvolver recursos internos mais saudáveis.

Alguns sinais de alertas que devem ser considerados: estados recorrentes e prolongados de tristeza, ansiedade ou desesperança, isolamentos e fobias sociais 

Lembre-se que todos, em algum momento, experimentamos a dor de não se sermos escolhidos. A diferença está em como elaboramos essa dor e transformamos a experiência em crescimento emocional.

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Psicóloga Maristela Vallim Botari

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